[bate-papo] Como foi o lançamento do livro “Violência, Democracia e Black Blocs” em Cachoeira do Sul

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Na noite deste sábado, 08 de Fevereiro de 2014, a Editora Artesanal Monstro dos Mares serviu um chá gelado e colocou a banquinha na garagem para receber as pessoas de Cachoeira do Sul para o lançamento do livro “Violência, Democracia e Black Blocs“, do Sociólogo Nildo Avelino.

Durante o evento, a Rádio Caruncho FM Livre tocou vários sons que foram do samba ao black metal, passando por marchinhas de carnaval e o anarcofunk. Como as conversas estavam animadas decidiu-se ligar os microfones para fazer as ideias ganharem novos espectros, inclusive o sonoro.

Confira as imagens e áudio com o bate-papo. Existem alguns chiados, plics e placs no som, mas acredite que foram tratados na medida do possível.


Faça o download do áudio para ouvir onde quiser.

[Livro] Violência, Democracia e Black Blocs

CapaNildoAvelino

“Violência, Democracia e Black Blocs” é o novo livro da Editora Artesanal Monstro dos Mares, em conjunto com o Grupo Autônomo de Estudos Filosófico (GAEF) de Pindamonhangaba – SP.

O livro reúne dois artigos do sociólogo Nildo Avelino publicados na Revista ALEGRAR no12 ­de dez/2013 ­(ISSN 18085148 www.alegrar.com.br), sobre o Brasil e os Black Blocs.

“O mais importante, portanto, está na transformação ética dos indivíduos que a revolta é capaz de provocar: nela, a revolução deixa de ser estéril e imobilizadora para tornar-se devir. Ignorar isso, é desconhecer a dinâmica política da revolta. Em tais acontecimentos, como assinalou Kant, o que importa é o entusiasmo ou, na sua definição, aquele tipo de participação conforme o desejo cuja manifestação coloca o participante em perigo. Para ilustrar esse entusiasmo, Kant utilizou o seguinte verso da Eneida: diante dele a espada mortal quebra-se como frágil gelo…”

Violência, Democracia e Black Blocs
Nildo Avelino
32p.

Versão Impressa em Mobÿdistro ou Download Grátis

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31 de maio: um dia decisivo – luto pela democracia!

Luiz Henrique, militante do Movimento Passe Livre, está de joelhos e braços levantados no meio da Beira-Mar Norte, a mais movimentada avenida de Florianópolis. O policial se aproxima, imobiliza o estudante no chão e acerta três socos em seu rosto. Outros policiais lançam bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e bombas de efeito moral contra os dez mil manifestantes que correm para todos os lados, em meio aos carros. Luiz Henrique desmaia e fica inconsciente por vários minutos. Isso aconteceu no dia 31 de maio de 2005 e a cena está no documentário Amanhã Vai ser Maior.

Exatamente cinco anos depois, em 31 de maio de 2010, a Polícia Militar invadiu a UDESC, Universidadedo Estado de Santa Catarina, e prendeu estudantes que protestavam contra o aumento da tarifa do transporte coletivo. Os policiais utilizaram gás de pimenta e armas de choque de maneira indiscriminada, atingindo universitários, fotógrafos e quem mais estivesse pela frente. Dias depois, entrevistei o então secretário de Segurança Pública que justificou a invasão e a violência policial com o seguinte argumento:“Nós entramos na UDESC para pegar pessoas que praticaram crimes” e comparou os estudantes a assassinos. Questionado sobre o uso das armas de choque, disse: “é melhor levar um choque do que ser atingido por um cassetete na cabeça, que pode causar uma fratura, portanto, o uso de armas de choque em movimentos sociais, em algumas ocasiões, é justificável”. As cenas da invasão, a entrevista e outros flagrantes de ignorância estão no documentário Impasse.

Os socos do policial e a invasão da UDESC são fatos de um mesmo enredo que toma conta da cidade há mais de uma década. Florianópolis tornou-se um símbolo no país na luta por um transporte coletivo de qualidade. Este ano, outra vez em abril e maio, os estudantes voltaram às ruas. O embrião dessa história é aCampanha pelo Passe Livre estudantile desemboca nas grandes revoltas populares de 2004 e 2005. Revoltas históricas que pararam a cidade e impediram o aumento da tarifa.Neste ínterim, a lei do Passe Livre foi aprovada pela Câmara de Vereadores e vetada pelo Executivo, foi criado o Movimento Passe Livre (MPL) no Fórum Social Mundial e os estudantes passaram a ter visibilidade e força política. A luta do MPL se espalhou pelo Brasil e hoje está presente em Joinville, Curitiba, São Paulo e Brasília. Vem se rearticulando em Vitória, Fortaleza, Manaus, entre outras cidades.

Por Fernando Evangelista – Frente de Luta pelo Transporte