Nossa história sobre a II Feira do Livro Anarquista de BH e a greve dos caminhoneiros

Neste final de semana vai rolar a II Feira do Livro Anarquista de Belo Horizonte. Fizemos cerca de 8.000 impressões de livros e zines para enviar ao evento que acontece nos dias 8 e 9 de Junho, com bônus de festa junina no domingo dia 10. Nenhuma das pessoas que fazem parte do coletivo da Monstro dos Mares mora em BH ou na região, mas conseguimos a solidariedade de compas para distribuir o material. Valeuzão!

Confira a programação da feira em feiraanarquistabh.noblogs.org ou no facebook.

No dia 15 de Maio nossa tiragem para o evento estava em 3.000 impressões e a opção seria enviar os materiais pelos Correios, sabendo que o prazo é em torno de 21 dias. Porém, com as recentes mudanças nas políticas de preços da empresa, optamos por enviar os materiais por transportadora, pois a caixa levaria somente cinco dias na estrada, podendo levar quase o triplo de peso pelo mesmo preço do PAC. Então optamos por ganhar mais uns dias, produzir mais livros e realizar a postagem entre os dias 24 e 28 de Maio.

Estávamos super confiantes em participar da feira, enviar bastante material e fortalecer as leituras das pessoas e bibliotecas dos espaços ocupados. Seguíamos com nosso cronograma de impressões. Como é do conhecimento de todas as pessoas, no dia 21 de Maio estourou a greve dos caminhoneiros e o Brasil se dividiu. O processo de lutas de uma categoria de trabalhadores nunca deve ser questionado por uma parcela da esquerda institucionalizada em partidos políticos e seus comitês disfarçados de sindicatos ou centrais sindicais, tampouco por nós que temos a insurreição e a luta social como horizonte. Mas estava tudo tão estranho.

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RANIERY SOARES/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO. Fonte

A apropriação da greve dos caminhoneiros por parte de empresários do setor e de segmentos da direita da maçônica, bem como os vexatórios pedidos de intervenção militar por parte do precariado intelectual brasileiro deixou no ar uma cara de espanto. Muitas de nós, diante deste quadro e com nossas forças esgotadas de tantas perseguições e agressões desde sempre, mas intensificadas desde 2014, optaram por esperar e verificar os desdobramentos dos acontecimentos nas estradas.

Talvez aqui fique a reflexão mais importante desse processo: Será que nós anarquistas teremos que esperar por uma insurreição legitimamente surgida em nossos meios para arregaçarmos as mangas e agir?

A pauta conservadora dos caminhoneiros, suas reivindicações baseadas somente no próprio lucro e seus custos de operação não contemplam as necessidades significativas de debate sobre o modelo logístico do país baseado neste modal, que se utiliza combustíveis fósseis, para atender um mercado que não pensa nas pessoas; nos limitados recursos naturais; no ar puro; na mobilidade urbana; no transporte coletivo; na formação de redes de assistência à cidade; na distribuição de alimentos de maneira local, sem depender de longas viagens de caminhão; sendo as ferrovias em sua grande maioria privatizadas e para atender unicamente ao agronegócio.

Com isso de fato não concordamos com o cenário que instalou nesses dias, mas ao mesmo tempo nos perguntamos porque não se ascendeu a greve geral? O que aconteceu nos segmentos de base, nas tendências e nos movimentos de luta junto à classe trabalhadora que não conseguiram/conseguimos mobilizar nossa indignação?

Não temos respostas, temos somente muitas perguntas para lidar e tentar entender quais os tipos de contribuições nós anarquistas podemos dar e em quais condições? Quem são nossos grupos de mobilização e quais tarefas estamos realizando para conscientizar as pessoas das injustiças, da exploração do mercado, da subserviência dos governos e do oportunismo dos políticos profissionais. Quais são nossas responsabilidades nisso? Queremos a revolução social, mas como? Quando.

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Parte do material que não foi pra BH, hehehehe.

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Com isso, não foi possível enviar os materiais para a feira em tempo de garantir nossa participação. Mas queremos que todas compas recebam nossa saudação e nossa vontade de participar na próxima edição. Que os ventos possam levar o espectro de solidariedade e que possam surgir bons debates, movimentações e perspectivas de luta capazes de contribuir com respostas aos questionamentos que seguem ecoando dentro de nós ao longo da história.

Livros e anarquia!