Motim Revolta Musical 2: A Revanche

a Revanche!

O Editora Artesanal Monstro dos Mares (Casa Pirata), uma entidade cultural comunitária dos jovens de Cachoeira do Sul, está realizando a segunda edição do evento musical beneficente para ampliar as atividades do espaço e as iniciativas libertárias que lá acontecem.

A primeira edição, em Julho, recebeu cerca de 150 pessoas, 4 bandas e diversas doações para retomada das atividades do coletivo. Nesta edição, serão 7 bandas (3 Santa Maria, 1 Santa Cruz do Sul, 3 Cachoeira do Sul) mais espaço na área externa, banca de livros, distribuição de zines, etc.

Todo o valor arrecadado será utilizado na aquisição de uma bateria para o estúdio comunitário de ensaios e para dar início às aulas voluntárias de música para crianças, idosos, pessoas com problemas psicológicos e jovens em situação de vulnerabilidade social.

Iniciativas da Casa Pirata

  • Rádio Caruncho FM Livre
  • Cinezine Cineclube
  • Editora Artesanal Monstro dos Mares
  • Estúdio Comunitário de Ensaios
  • Clube da Salada
  • União de Blogs de Cachoeira do Sul
  • Oficinas, encontros e palestras

Bandas

  • Cervisia (influência indie) Cachoeira do Sul;
  • Eletric Flowers (Rock´n´Roll), Cachoeira do Sul;
  • Kakedo HC (HC), Santa Maria;
  • Porunspilla (HC), Santa Cruz do Sul;
  • Resistentis (HC), Santa Maria;
  • Rivotriu (influência grunge), Santa Maria;
  • Unhallowed (Raw Black Metal), Cachoeira do Sul;

(ps: ordem alfabética, não por ordem dos shows)

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Motim – Revolta Musical

Sexta-Feira, 05 de Outubro de 2012
defront (em frente a ULBRA, Cachoeira do Sul)

R$ 10 antecipado
R$ 15 na hora

http://monstrodosmares.com.br/

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Quem for ao evento de bicicleta ganhará um abraço.

Literatura e reciclagem: Editora argentina produz livros artesanais em parceria com catadores de papel

“A embaixada da Suíça doou uma impressora; a embaixada da Espanha, dinheiro para papel; ao governo da Argentina bastou entrar com a crise econômica.” Fruto típico do humor portenho, essa piada de certa forma explica a gênese de uma das mais criativas e corajosas casas editorias da América Latina. Criada em Buenos Aires em março de 2003 – portanto, pouco mais de um ano após o epicentro da crise argentina em dezembro de 2001 –, a editora Eloísa Cartonera se define como um projeto artístico, social e comunitário, sem fins lucrativos ou, como em seu slogan: “Eloísa Cartonera, mucho más que libros”.

Sua proposta editorial parte da possibilidade, ou da utopia, de que a cultura (no caso, a literatura) funcione como mecanismo de inclusão para aqueles que, de alguma forma, foram colocados à margem da sociedade. Seus livros, simples e coloridos, têm as capas criadas artesanalmente, pintadas sobre o papelão reciclado comprado diretamente dos cartoneros argentinos – “profissão” que surgiu com a explosão do desemprego e que equivale aos catadores de papel brasileiros – por um preço cinco vezes maior que o usual. Seu catálogo, sempre de latino-americanos, reúne nomes consagrados como Ricardo Piglia, Haroldo de Campos, Néstor Perlongher, Alan Pauls e Manoel de Barros, além de vários escritores inéditos ou da nova geração, incluindo os brasileiros Camila do Valle e Douglas Diegues.

Criada por Wáshington Cucurto (na verdade um dos heterônimos do escritor Santiago Veja) e pelo artista plástico Javier Barilaro (responsável pelos projetos gráficos), aos quais logo se reuniram vários outros como Fernanda Laguna, Julián González e Cristian de Nápoli, a editora tem sua sede no tradicional bairro de la Boca (a metros de la Bombonera, como informa o site http://www.eloisacartonera.com.ar), em uma cartonería chamada “No Hay Cuchillo Sin Rosas” (literalmente, “Não Há Faca Sem Rosas”), onde se reúnem escritores, cartoneros e artistas – e onde as capas, ao som da cumbia e ao sabor das facturas, são desenhadas e pintadas por jovens filhos de cartoneros.

No início era preciso pedir a autores conhecidos que cedessem algum material inédito para a publicação; posteriormente, já conhecida e com mais de cem títulos no catálogo, a editora passou a receber uma quantidade, e qualidade, de material mais que suficiente. As vendas são feitas na rua, pelos próprios editores, perto da cartonería, ou numa rede restrita de livrarias argentinas – sempre a preços populares (menos de US$ 3,00). O projeto funcionou de tal forma que uma “rede cartonera” surgiu, com as editoras-irmãs Yerba Mala Cartonera (na Bolívia), Sarita Cartonera (Peru), Lupita Cartonera (México), Animita Cartonera (Chile) e Dulcinéia Catadora (Brasil). A semente da catadora brasileira foi plantada na 32ª Feira do Livro de Buenos Aires, em 2006, quando a Embaixada do Brasil apoiou a publicação de uma antologia de prosa e poesia brasileira e abriu um espaço no estande para que representantes da Eloísa Cartonera mostrassem seus livros e conversassem com o público. No mesmo ano, representantes da editora portenha foram convidados a participar da 27ª Bienal de Arte de São Paulo, e entraram em contato com o Movimento Nacional dos Catadores de Recicláveis. Daí surgiu a Editora Dulcinéia Catadora, que estreou publicando Sarau da Cooperifa, uma coletânea de poetas da periferia paulista, e hoje já possui mais de 20 títulos em seu catálogo. Portanto, a idéia original, de integrar pessoas através da arte, funcionou além do esperado. A editora Eloísa Cartonera emprega um grupo de jovens da Villa Fiorito (bairro pobre de Buenos Aires), publica autores inéditos e mesmo esquecidos da América Latina e ainda formou um grupo de editoras independentes que, na contramão da modernização técnica e da centralização da indústria editorial, monta em bases quase artesanais uma riquíssima experiência literária e social.

ALUIZIO LEITE é jornalista e editor.

Fonte: EDUSP
Enviado por Luciéle Bernardi