2017: mudança, ritmo, andamento e silêncios

Demorou algum tempo para perceber que algumas mudanças são realmente maiores do que se imagina. Aceitar a beleza da aleatoriedade é o que nos conduz, mas é também o que nos faz perceber que depois de alguns anos, existem distâncias maiores do que aquela que podemos traçar no mapa. Ao ganhar o mundo com as mãos, sem depender diretamente da família ou de patrão representa uma mudança marcante em nossas trajetórias pessoais. Pois essa dedicação “quase” exclusiva ao projeto editorial da Monstro dos Mares tem constituído cada dia mais nossa própria ideia de Ser no Mundo.

Em 2017 conseguimos um ritmo de produção que ainda não havíamos experimentado, foram 62.352 impressões. Não temos ideia de quantos livros e zines esse número representa, tampouco se é muito ou pouco para uma editora libertária. Mas esse tipo de contabilidade não serve de nada além de um registro de nosso próprio tempo. Temos a convicção de que, mesmo sendo detentores de um CNPJ, nós não somos uma empresa, não seguimos uma lógica mercantilista, ou tampouco queremos ser administradores, gestores, empreendedores ou nos submetermos a qualquer modelo de “sucesso”. Danem-se os Best Sellers!

Fazemos livros pois sabemos que neles “há” potencial para transformação. É na existência dessa possibilidade que acreditamos. É por causa deste “há” que jogamos tinta no papel e damos andamento a livros que chegam até as mãos das pessoas. Fazemos o necessário para que ideias disruptivas possam ganhar mais páginas, permitam ser copiadas e ganhem quilômetros de distância. É para chegar nas casas, nas ocupas, nos centros culturais, coletivos, rolês, labs, spaces, sindicatos, comunas e todo o tipo de congregação que luta por liberdades que se proponham libertar o universo, a galáxia, o planeta, a natureza, os animais e inclusive essa maldita raça humana que fazemos livros. É pela possibilidade que há.

É nas mãos desse bicho que se diz racional que todos os objetos que conhecemos tornam-se dotados de significados. É esse ser humano que é capaz de dar sentido à comunicação, articular ideias, desenvolver criatividade musical, fazer cinema e literatura. É exatamente o mesmo que condena outros com a caneta que assina leis contra os direitos da classe trabalhadora, e que forja leis chamando as manifestações do povo de terrorismo e de vandalismo, é o mesmo ser que com o fuzil puxa o gatilho e promove guerras que tentam devastar o povo Curdo e Palestino. Este ente todo privilegiado com a capacidade de pensar e fazer livros tem uma mão que mata e promove silêncios na Argentina e no Brasil.

No ano que vem, não queremos apenas nossa companheirada de pé enfrentando o ogro eleitoral, denunciando os abusos da Operação Érebo, fortalecendo a defesa de Rafael Braga, subindo barricada contra medidas de austeridade e desmandos dos políticos. No ano que vem queremos que o fogo de nossas ideias transformem esse modelo de sociedade em cinzas e que desde já, possamos pensar uma nova realidade!

Em homenagem ao amigo, Brian Matos Silva.
Editora Monstro dos Mares
Dezembro de 2017.

“Walking to the age of Chaos
Burning the Lifes
The end of Mankind
Shadows and Pain
Arrives the Death
Opening the Way
To Begin Doomsday
You! cannot escape
Fire! is your Fate
The New Reality
is Born”

The New Reality, Empires Will Fall, Rotten Filthy, 2011.

[Livro] Veganarquismo

AVISO: Publicamos Veganarquismo 2ª edição, com nova tradução e neutralização de gênero no texto.

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Veganarquismo
Libertação Animal e Revolução Social:
Uma perspectiva vegana do anarquismo ou uma perspectiva anarquista do veganismo

Embora a teoria da libertação animal e o ativismo poucas vezes sejam bem-vindos ou considerados sérios pela esquerda dominante, muitos anarquistas já começaram a reconhecer sua legitimidade, não apenas como uma causa válida, mas como um aspecto integral e indispensável da teoria radical e da prática revolucionária. Enquanto a maioria das pessoas que se declaram anarquistas ainda não adotaram a libertação animal e seu correspondente estilo de vida – o veganismo – um número crescente de jovens anarquistas estão adotando pensamentos ecologistas e de inclusão-animal como parte de suas práticas gerais.

Anarquistas no Brasil: A Colônia Cecília de Giovanni Rossi e o Socialismo Experimental

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A Colônia Cecília de Giovanni Rossi e o Socialismo Experimental
Elaine Alves

“Uma análise sobre o socialismo experimental, criado por Giovanni Rossi, implantado no Brasil no final do século XIX, através da comunidade experimental Colônia Cecília. O breve episódio histórico da Colônia Cecília, criada na cidade de Palmeira – Paraná em 1890, é o marco inicial da representação do Anarquismo no Brasil e na América Latina. O primeiro experimento socialista, fato fortemente ligado à imigração de classes proletárias italianas.”

32 páginas

Fotos do rolê:

[Livro] Violência, Democracia e Black Blocs

“Violência, Democracia e Black Blocs” é o novo livro da Editora Artesanal Monstro dos Mares, em conjunto com o Grupo Autônomo de Estudos Filosófico (GAEF) de Pindamonhangaba – SP.

O livro reúne dois artigos do sociólogo Nildo Avelino publicados na Revista ALEGRAR no12 ­de dez/2013 ­(ISSN 18085148 www.alegrar.com.br), sobre o Brasil e os Black Blocs.

“O mais importante, portanto, está na transformação ética dos indivíduos que a revolta é capaz de provocar: nela, a revolução deixa de ser estéril e imobilizadora para tornar-se devir. Ignorar isso, é desconhecer a dinâmica política da revolta. Em tais acontecimentos, como assinalou Kant, o que importa é o entusiasmo ou, na sua definição, aquele tipo de participação conforme o desejo cuja manifestação coloca o participante em perigo. Para ilustrar esse entusiasmo, Kant utilizou o seguinte verso da Eneida: diante dele a espada mortal quebra-se como frágil gelo…”

Violência, Democracia e Black Blocs
Nildo Avelino
32p.

Download Grátis

Galeria de fotos

Citações acadêmicas

Santiago, Leonardo Sagrillo. Os “novíssimos” movimentos sociais e a sociedade em rede: a criminalização das “Jornadas de Junho” de 2013 e a consolidação de um Estado delinquente. Dissertação de mestrado, UFSM, Santa Maria, 2016.

Pinheiro Junior, Ari Leme. Narrativas de protesto: a copa das black blocs. Dissertação de mestrado, UFSCar, 2016.

Lançamento do livro “Anarquismo e suas aspirações”

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A AntiEditora Editora Libertária, de Araranguá (SC) fará o lançamento em Cachoeira do Sul o livro “Anarquismo e suas aspirações“, de Cindy Milstein, com versionamento e apontamentos para o português por Rafael Reinehr.

Dia 23 de Novembro de 2013
20h

Jantar: Fusilli com vegetais (trazer contribuições)
Música: Traga pendrive e monte sua playlist por favor
Local: Editora Artesanal Monstro dos Mares, Rua Dona Hermínia, 2392.

O livro estará disponível por R$15,00

Calendário de Novembro

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A Editora Artesanal Monstro dos Mares + AntiEditora Editora Libertária, estarão presentes em diversos eventos no mês de Novembro, graças a boa vontade das pessoas que participam deste coletivo publicador em se deslocar por aí e/ou ajudar com doações para custear viagens e impressões de mais e mais exemplares.

– dia 10, Feira do Livro Anarquista de São Paulo
– de 11 a 13, Colóquio Internacional Ciência e Anarquismo da USP
– dias 14, 15, 16 e 17, Aldeia Caiana, Vera Cruz, RS
– dias 15, 16 e 17, IV Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre
– dia 15, Festival Eu Quero é Rock II, Cachoeira do Sul, RS
– dia 16, Lançamento e conversa sobre O ANARQUISMO E SUAS ASPIRAÇÕES, Porto Alegre, RS
– dia 24, Vandalismo Cultural, Pindamonhangaba, SP (http://vai.la/3gi8)

Pedidos, encomendas, doações e informações por inbox ou através do e-mail monstrodosmares@riseup.net

I Encontro Anarquista de Ribeirão Preto

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I Encontro Anarquista de Ribeirão Preto, realizado pelo Coletivo Libertário Viver a Utopia nos dias 12 e 13 de Outubro no Memorial da Classe Operária. O evento contará com a presença de editoras e ocorrerá conjuntamente XII Expressões Anarquistas.

Informações:
http://viverautopia.org/
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[reflexão] Para publicar – A necessidade de tinta no papel nas publicações anarquistas da atualidade (por Aragorn!)

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Dentro de cada pessoa cínica, há um idealista desapontado.
– George Carlin

Se publicar é a prática de colocar tinta no papel e jogar na mão do povo, então criar uma editora é barbada (principalmente se for uma editora anarquista). Embora existam indiscutivelmente mais livros anarquistas sendo publicados do que em qualquer outro momento da história, a quantidade de leitores está diminuindo. Publicações anarquistas, sejam panfletos, jornais e revistas, estão reduzindo no universo inteiro. Cronogramas de publicação sem frequências definidas e diminuição das tiragens, indicam que o tempo do papel pode estar chegando ao fim para os periódicos anarquistas.

O indicador para essa contagem é que tem havido uma correspondente, se não maior, ascensão de publicações anarquistas na internet. Mas será que esse é realmente o caso? Isso vai depender do que você entende por publicação. Por exemplo, no site infoshop.org, podemos encontrar a maior e mais antiga publicação anarquista na web, ao longo de um ano, seria difícil encontrar um grande volume de conteúdo original na parte de notícias (já que é a mais ativa) para preencher as páginas de uma revista. Isto não é uma crítica, mas uma declaração de como uma publicação na internet é qualitativamente diferente de um jornal ou revista, onde republicações são a exceção e não a regra.

Por isso, talvez seja necessário uma definição mais ampla de publicação anarquista. Livrar-se de publicações de tinta e papel, pode ser visto como mais saudável e ecológico do que nunca. Sabemos que esses são dias felizes de discussões sobre os acontecimentos do outro lado do mundo, artigos escritos na semana passada, e detalhes picantes que antigamente teriam levado anos para descobrir sobre os heróis e vilões da anarcolândia (risos). Mas o que perdemos neste mundo novo da informação constante que se limita as telas, as conexões banda larga; especialistas das artes digitais, HTML, CMS, e manipulação de imagens?

O ritmo, o tato, a sedução, o contexto, a simplicidade, clareza, escrita bonita, profundidade, debate informado, e as relações pessoais aos autores é o que perdemos. É bem provável que essas coisas não vão voltar, nem nas publicações anarquistas ou em qualquer outra. Além disso, há uma massa crítica de leitores que deram adeus aos preços de venda; artigos longos demais; autores especializados; nome de editoras; cronogramas lentos de novas publicações e a quantidade de tempo levam para que periódicos possam ser impressos. As pessoas já não esperam impressões, em geral, as editoras que imprimem materiais estão desaparecendo uma a uma. Qualquer editor que deseja ser relevante deve manter uma presença na internet, mas o oposto disso também é verdade. O movimento em direção ao digital (evidenciado pelo número crescente de versões “apenas pdf” de publicações anarquistas) e incapacidade de um número maior de projetos capazes de ganhar voz própria é uma demonstração dos tempos sombrios que temos pela frente. Claro, haverá mais palavras, mais coisas jogadas contra as paredes digitais na esperança de ficar, mas isso não vai ser notado. Na melhor das hipóteses um novo tipo de elite virtual (que já existe e se diz dona de muitos espaços anti-autoritários) vão se virar na direção de um texto e pipocar novos links. E assim vão continuar na próxima semana. Até pintar a próxima coisa, a próxima falsa controvérsia, o próximo prazer, a próxima distração.

Isso é bem diferente do que acontece num zine, do mais humilde ao mais fantástico, até mesmo uma revista de crítica anarquista no fundo da mochila de um viajante. A tinta no papel contém mais possibilidades de serem redescobertos muitos anos depois, de encontrar um novo público. Editoras anarquistas de nossos tempos devem emergir como uma solução para um problema novo, que neste momento parece ser mais grave do que a própria extinção de editoras no século passado. Se a ideia de vivermos livres de coerção significou em algum momento vivermos livres do trampo de imprimir e distribuir, isto não tem se mostrado uma boa ideia. Existe um mercadão de ideias, nossas premissas de liberdade e anarquia já não parecem ser muito convidativas. O caminho é solitário e perigoso. Pode parecer pouco evidente, mas o processo de desejar a liberdade anarquista, de articular um mundo diferente enquanto estiver sob coação, é parte do processo para se tornar uma pessoa informada e educada ao longo da vida anarquista, tal como ler as palavras dos velhos anarquistas, ou o famoso FAQ.

O processo de colocar tinta no papel e entrega-los para pessoas que estão interessadas contém um espectro completo de experiências sobre como realmente podemos fazer alguma coisa. Como transformar boas ideias (e mesmo as meia-boca) em sucessos ou fracassos. No papel essas ideias tem um valor próprio, mais do que elogios, críticas e enganos, o resultado é jogar mais ideias para o mundo. O processo de transferir palavras impressas de lá pra cá, de você pra mim, é também a conexão primária que faz existir uma editora para dezenas, centenas ou milhares de pessoas que serão escribas do futuro, feitiçeirxs da anarquia, companheirxs que podem fazer as coisas acontecerem e as melhores amizades que você nunca vai ter.

Por Aragorn!
Versão para o português por Vertov

I Encontro por uma Educação Libertária

A educação tem grande valor no pensamento libertário que busca por transformação social, é agente crítico à educação tradicional, seja ela a oferecida pelo estado, pelo capital privado ou  aquela mantida por instituições religiosas.

A escola, que se apresenta com loquaz neutralidade é arbitrariamente ideológica. O sistema dedica-se em reproduzir as estruturas cruéis de autoridade, dominação e exploração, doutrinando os alunos a ocuparem seus lugares e delimitando seus comportamentos. Dessa forma, a aparente neutralidade oculta a continuidade ideológica do Status quo.

A Educação Libertária busca uma transformação, ao despertar nos indivíduos a consciência da necessidade de uma filosofia social diferente.

Queremos mostrar que a educação pode se estender além do ambiente escolar, explorando a cultura, debatendo-a com um pensamento libertário, complementando a que já temos”. Tiago Silva.

21/01/2012

  • 13h 30min – Abertura: Considerações sobre o Encontro
  • 14h – Bastidores da Vida – Grupo Teatral Arte In Cena
  • 14h 30min – Os beijos da mídia na Educação – Lisandro Benvegnu Lorenzoni
  • 15h 30min – Curtas metragens – Tiago Silva e Iuri Minfroy
  • 17H – Futebol, nossa paixão – Cambada Levanta Favela
  • 18h – Educação Popular e Educação Formal, reflexões para uma Educação Libertária – Lauci Lemes
  • 20h – Sarau Literário
  • 22h – ? Shows: Guarda-chuvas – 4 Acordes – Menino Azeitona – Tomate Seco – Os Delirantes – Madame Wong – Demétrios Cunha – Lubrificados – Tio Neca Preto

22/01/2012

  • 12h – Almoço coletivo
  • 13h 30min – Permacultura – Jéferson Timm
  • 14h 45min – Oficina de Técnica de Tie Dye e Stencil em camisetas – Everton Lehmann
  • 16h – Próximos passos para uma Educação Libertária – Tiago Silva

Atividades paralelas

  • Exposições
  • Painel
  • Oficina
  • Acampamento
  • Varal de manifestos

Traga sua barraca! E suas ideias!
Entrada franca
educacaolibertaria@bol.com.br
(51) 8159-0775 / (51) 9700-3334

Nota do autor: Ainda não estive em Sapiranga, mas darei meu sangue para estar presente.
Texto adaptado de Custódio Gonçalves da Silva “Paradigma Anarquista e a Educação Libertária

como foi a 2a feira do livro anarquista de porto alegre?

Imagens das atividades que aconteceram durante a 2a Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre, em novembro de 2011, produzido pelo coletivo Anarco Filmes.

* Veja um relato sobre a feira em www.anarcopunk.org/imprensamarginal
* Veja fotografias, áudio de debates e a programação completa em flapoa.deriva.com.br

Fonte: anarcopunk.org