Livros não são provas de crimes! [[[A]]]

Devido ao espampanante da mídia corporativa em criminalizar anarquistas e invisibilizar as ações da Operação Zelotes, a Editora Monstro dos Mares vem através deste informe se posicionar em defesa da publicação de livros de verve anarquista, independente de seus conteúdos. Temos a plena convicção de que livros não podem ser utilizados como provas de crimes de qualquer natureza, livros são ideias, possibilidades, memórias, sonhos, ficções e utopias, crimes não são. Não há (ainda) no Código Penal Brasileiro o crime tipificado “portava livros” e por isso rechaçamos a matéria apresentada pelo Fantástico da Venus Platinada Rede Globo de Televisão e colocamo-nos na mais estreita solidariedade às pessoas, organizações e espaços culturais libertários atacados nessa operação apresentada e que mais uma vez caberão às editoras ter de defender o livro e seus significados. Cada qual ao seu modo.

Um delegado que não serve a uma ditadura e apreende um livro é porque tem a vocação do autoritarismo. E nenhum respeito por um livro.”Ivan Pinheiro Machado
Blog da LP&M Editores, 27 junho 2013 às 9h56min.

Nossa editora possui em sua origem, trajetória e práticas, as ideias identificadas com o anarquismo sem adjetivos, sem tradições, limites, habitus ou campus. Buscamos no anarquismo uma epistemologia, uma ética-prática, um modo de agir no mundo que há, com todos os seus defeitos, guerras, agrotóxicos, sonegação previdenciária, lamas tóxicas, ecocídios, presídios e gentrificações.

Entendemos que ao fazer livros, também fazemos o possível para não sustentar patrão, não morrer de fome ou apodrecer nas cadeias, hospitais, porões e todo tipo de aprisionamento de nossos corpos, mas exercendo ideias livres e libertárias que vão além do voto, das representações binárias de performatividade de gênero, da idealização capitalista de desenvolvimento ou progresso e de todas as relações de poder envolvidas nessa tentativa de trancar-nos em rótulos e comportamentos que simplesmente não nos dizem respeito: Vândalos, criminosos, extremistas, clandestinos, ilegais…

Somos pessoas conectadas com o pressuposto ontológico da edução e nossos livros transmitem aprendizados, conceitos e conhecimentos que almejam agora, um amanhã possível, onde mulheres possam se sentir seguras em qualquer lugar, onde professoras possam ensinar aquilo que pesquisam com entusiasmo. Nossas urgências por justiça social querem jovens negros vivos em vez de licitações fraudulentas e superfaturadas de presídios, atuamos para que o meio ambiente não seja somente a nova religião dos publicitários e administradores de negócios que se ocuparam em esgotar os recursos naturais deste planeta. Não queremos pessoas agredidas com lâmpadas fluorescentes na Avenida Paulista ou amarradas em um poste em qualquer lugar. Não queremos a polícia que mais mata no universo, tampouco o título de campeões da soja ou sequer aplaudiremos o agronegócio que vive de matar animais e indígenas para alimentar essa raça “humana”.

Nós sabemos quem somos, o que queremos, o que fazemos e como fazemos. Nossos livros são ideias, possibilidades, memórias, sonhos, ficções e utopias que promovem um modo disruptivo da nossa presença no mundo e confiamos numa prática transgeracional de educação e libertação de todas as existências.

Nós somos o capítulo que virá, a página que já foi e o verbete carregado de significados. Queremos um mundo com justiça social e liberdade. Para alcançar esse vir-a-ser fazemos livros que são criados por pessoas que compartilham de nossas ideias, práticas e éticas.

Agora basta você esticar os braços, tinta, papel e tornar-se uma editora também.
Livros e Anarquia!

Editora Monstro dos Mares
União da Vitória – PR
31 de Outubro de 2017, quase 18 anos depois de Seattle N-30.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*