Cachoeira do Sul, Outubro de 2012: a casa caiu!

Bom pessoal, o centro de inovação social perdeu a sua “casa pirata”. Às pessoas que acompanham as iniciativas desse grupo sabem o quanto foi complicado manter esse centro de práticas em atividade, passamos por diversos desafios conceituais, financeiros e metodológicos. Foram realizadas reuniões mensais para definir e tirar juntos os encaminhamentos e os desafios e problemas foram apresentados, independente da quantidade de presentes. Em nossa última reunião, no dia 10 de outubro, o espaço se dissolveu após um ano de tentativas.

Muito mais do que justificativas (que muitos já conhecem), esse é o momento de refletir um pouco sobre a viabilidade de um projeto dessa natureza numa cidade do interior, num momento onde muitos dos espaços libertários constituídos em cidades infinitamente maiores que a nossa Cachoeira do Sul, atravessam problemas semelhantes e encontram-se evidentemente em risco de serem descontinuados.

Essa reflexão sobre a viabilidade deve transcender a capacidade de recursos e abundância de materiais disponíveis, mas sim, na energia e no desprendimento individual em contribuir para a construção de espaços de natureza libertária. É levar consigo uma parte dos sonhos e da evidente frustração de estar com olhos roxos. A máquina fumegante de opressão atropelou a casa pirata e aprendemos de forma muito dura, as diferenças e alegrias de dizer: foi temporário, mas nos será permanente!

Agora que não existe mais sentido em manter paredes, portas e janelas, vamos nos permitir deixar a casa cair e tentar de alguma forma contar essa história com quem não pode fazer parte dela nesse período, mas que poderá contribuir com a formação de novos modelos de experiências semelhantes ao compartilhar suas histórias sobre ocupas, squatings e coletivos, relatando sem receios suas conquistas, aprendizados e fundamentalmente, os problemas. Será nosso anti-case, para uma sociedade afogada em discursos repletos de vencedores com os pés sujos de sangue, não de tanto caminhar, mas de passar por cima de quem está ferido.

Corajosamente convidamos as pessoas que constroem ou construíram a luta libertária no Brasil para abrirem seus corações, para revirar suas gavetas e provocar suas lembranças, neste que pretende ser um repositório de histórias em diversos formatos, sobre o que aconteceu e o que é possível aprender com nossos sorrisos e lágrimas.

Vamos seguir em frente com nossos sonhos, agora seremos outras inciativas, outras bandas, bandos, grupos, coletivos, redes e comunidades. Contem com nossa mãos calejadas, nossos dentes quebrados e nossas histórias para contar.

Casa Pirata (2011-2012)
Editora Artesanal Monstro dos Mares
www.Editora Artesanal Monstro dos Mares

Se você deseja contribuir compartilhando sua história individual ou relato sobre espaços coletivos autogestionados que não existem mais, por favor, escreva para monstrodosmares@riseup.net

Serão bem-vindos  materiais em qualquer formato, com qualquer quantidade de carácteres, áudio, vídeo, desenho, ilustração, fotos conceituais, etc… desde que contenham nome/título e período de participação/duração (cidade/estado é opcional).

Os relatos enviados serão publicados num livro em formato digital que poderá ser impresso ou reeditado por qualquer coletivo de ação libertária para garantir (de alguma forma) a continuidade de suas atividades[1].

[1] ideia de licença sugerida pela editora Deriva na discussão “Abandonando o Copyleft”

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